Respostas sobre o TEA

Respostas sobre o TEA

Por Fábio Cordeiro
Presidente ONDA-Autismo


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por dificuldades que afetam as áreas de socialização e de linguagem, e acarreta interesses restritos e comportamentos repetitivos da pessoa, que juntos podem dificultar a aprendizagem e o desenvolvimento. Nesse sentido, quanto antes essa pessoa tiver o diagnóstico, mais cedo as intervenções, as terapias para melhoria de vida serão iniciadas e efetivas, pois o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que possui “janelas de oportunidade” para intervenção.

O TEA é definido pela última edição do DSM-V como um transtorno que pode variar quanto à intensidade dos sintomas e prejuízos causados à rotina do sujeito. Tais transtornos são caracterizados principalmente por alterações na comunicação e na interação social e, ainda as estereotipias, padrões involuntários restritivos e repetitivos.

Portanto, o autismo não é uma doença, ou seja, não há cura. Mas existem tratamentos diversificados com estimulações e terapias. Também, em alguns casos de comorbidades e condições associadas ao TEA, pode-se fazer uso de medicação. Apesar de ainda não ser diagnosticado através de exames, o diagnóstico, que é essencialmente clínico de verificação de comportamento da criança, pode ser dado a partir dos 18 meses de idade.

Cabe salientar que o TEA é um transtorno neurológico. Ainda não é diagnosticado através de exames, mas sim com análise comportamental, a partir dos 18 meses de idade. O diagnóstico é essencialmente clínico de verificação do comportamento da criança e quanto mais precoce melhor o prognóstico em relação ao desenvolvimento e autonomia.

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
É um Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado por dificuldades nas áreas da Comunicação, Socialização, e do Comportamento, em geral, da pessoa autista, em diferentes variações, o que torna cada indivíduo com autismo único.
Quais as causas do autismo? Até o momento, a comunidade científica concorda que as causas do autismo são multifatoriais. Sabemos que há forte influência genética (97%) dos quais 80% de hereditariedade.

Quais os graus/níveis de autismo?
O atual manual de diagnóstico de transtornos e doenças psicossociais define o autismo em três graus: (nível 1), (nível 2) e o (nível 3). Esses graus podem ser variáveis de acordo com o desenvolvimento, funcionalidade e necessidade de apoio da pessoa com TEA em diversas áreas.

O TEA é uma deficiência?
Desde o dia 27/12/2012, aqui no Brasil, o Transtorno do Espectro Autista é considerado deficiência para todos os efeitos legais, em benefício da Lei 12.764/2012. A lei diz exatamente: “A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais”.

O que são condições coexistentes (comorbidades)?
Pessoas com TEA geralmente apresentam condições coexistentes, ou seja, têm a associação de outras condições ou patologias. Dentre as mais comuns, estão: deficiência intelectual; transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH); dislexia; discalculia; transtorno de ansiedade - cerca de 40 a 60% das crianças e adolescentes com TEA têm ansiedade; depressão também é comum, especialmente em crianças e adolescentes com autismo leve e dificuldades de interações sociais; distúrbio do sono; esquizofrenia; epilepsia; transtorno desafiador opositor (TOD); transtorno obsessivo compulsivo (TOC); transtorno bipolar; e síndromes como Down, West e X-Frágil.


Como explicar o autismo para autista?
A melhor forma de dizer ao autista que está no TEA é dizer desde cedo que ele é autista, sem fazer drama, falando naturalmente, do mesmo jeito que foi dito a ele sobre a cor de seus olhos e de sua pele. Não existe uma idade certa para revelar o autismo.
Aproveite as oportunidades em que a criança demonstra um comportamento diferente do resto da família para falar sobre autismo, sem parecer preocupado ou triste. Quanto mais normal a palavra “autismo” for usada em casa, mais normal o autista se sentirá. Lembre-se de que a sua reação influenciará o modo como o seu filho percebe o autismo.

O que são estereotipias?
São os movimentos repetitivos que muitas pessoas com autismo têm. Podem ser motoras, da fala, entre outras. Existem vários tipos, mas os mais comuns são o flapping de mãos (sacudir as mãos), balanceio do tronco para frente e para trás, tapar os ouvidos com as mãos, pular, mexer os dedos em frente ao rosto, rasgar papel e emitir sons como “ihhhhh” ou “zzzzzzzz”, que muitos autistas produzem. Muitos autistas fazem estereotipias quando estão felizes ou, ao contrário, durante momentos de ansiedade.

As estereotipias devem ser proibidas?
Não. São a válvula de escape dos autistas; serve como forma de comunicação (por exemplo quando está com alguma dor e não consegue comunicar pela fala) e autorregulação. Caso a estereotipia seja prejudicial à criança ou ao meio ambiente (ex.: tirar a pele fina do dedo até sangrar, cuspir nas pessoas, arrancar os cabelos, etc.), é necessário oferecer alternativas para a ação prejudicial. Em todo caso, deve-se permitir que o autista consiga se regular de alguma forma para equilibrar a ansiedade e poder se concentrar. O uso de brinquedos ou objetos (stim toys) para esse fim pode ser uma boa alternativa.

O que é hiperfoco?
São os interesses restritos da pessoa autista que se dão de uma maneira muito intensa por um determinado período de tempo, podendo ser variável ou não. Vale ressaltar que o hiperfoco é diferente de obsessão ou “manias” pois essas trazem incômodo ao individuo enquanto o hiperfoco costuma ser prazeroso. O hiperfoco pode ser muito positivo em vários casos. Por exemplo, quando o autista tem um hobby o qual pratica tanto que acaba se tornando excelente naquela habilidade (números, astronomia, artes, etc.), inclusive, transformando o hiperfoco em um trabalho.

O que é ecolalia?
É a característica de uma pessoa que repete palavras, frases ou músicas muitas vezes fora do contexto de uma conversa. Pode acontecer a ecolalia imediata, quando a pessoa repete logo após ter ouvido, ou a ecolalia tardia, quando a pessoa repete o que ouviu tempos depois. A ecolalia é muito comum entre os autistas e pode ser o primeiro passo para a comunicação. Dica: tente usar frases de desenhos animados em ambientes que façam sentido, dando função à ecolalia.

O que são dificuldades sensoriais?
A maioria das pessoas autistas têm uma ou mais dificuldades sensoriais, que são as reações ao que elas veem, ouvem, cheiram, provam ou sentem. Além disso, muitos autistas também têm desregulação nos sentidos menos conhecidos como o equilíbrio, as sensações de dor, de frio/calor, de fome/sede, e outros mais que definem o Transtorno Sensorial.

Como posso me comunicar com autistas não verbais?
A ausência da verbalidade nem sempre significa deficiência intelectual. Sabendo disso, quem se comunica com a criança deve usar o tipo de comunicação que ela compreende no momento. Materiais estruturados, adaptados para a falta da verbalização são os mais indicados, como imagens, pictogramas, fotos, gravuras e metodologia especial para esse fim.

Qual a diferença entre uma birra normal e uma crise de autista?
A crise de uma criança autista é diferente da birra comum em crianças. A crise pode acontecer de repente, quando o autista fica exposto a uma sobrecarga de estímulos externos, causando muito estresse e ansiedade, que ela não consegue controlar. Já a birra típica de crianças sem autismo é um modo de se rebelarem contra uma ordem ou uma frustração, em que seus pais têm a chance de dialogar. Quando o autista entra em crise, nada o consola; não mais ouve, nem compreende o que é dito. Uma maneira de diferenciar uma crise de uma birra em geral é a presença da barganha. Na birra a criança busca um ganho, uma troca (me dá o que eu quero e paro de gritar, chorar ou me auto agredir), já na crise esse fator não existe, a criança não está buscando um ganho com aquela ação.

Como ajudar a controlar uma crise?
Fique calmo, entenda que a crise autística é consequência de uma sensação de desconforto (medo, ansiedade, dor, etc.) que o autista (ainda) não sabe controlar.

O comportamento é uma forma de comunicação e muitos não sabem como expressar o que sentem ou desejam e acabam apresentando comportamentos disruptivos.

Fale pouco, abaixe-se na altura dele, use a comunicação que ele compreenda - diga que está ao seu lado e que vão superar a crise. Jamais fale alto!

Se o autista gostar de ser tocado, abrace-o e ofereça conforto.
Espere ele se acalmar e distraia-o com algo que o deixe tranquilo. Se tiver algum objeto que conforte, utilize nesse momento.

Tem como evitar uma crise?
Sim. Antecipe situações em que o autista possa reagir intensamente. Peça ao terapeuta que monte histórias sociais, incluindo motivos que possam ser disparadores de crise, com a finalidade de vivenciar, para que haja aprendizagem e treinamento da aquisição do controle sobre a crise, amenizando, assim, a intensidade quando ocorrer em ambientes reais.

Como explicar o autismo para outras crianças?
É muito importante explicar o autismo para todas as crianças de forma descomplicada, especialmente aquelas que convivem com um autista. Elas precisam compreender que o (a) colega com Transtorno do Espectro Autista tem um jeito diferente de se comunicar, de se relacionar, de brincar, de superar seus desafios, e que todos nós somos diferentes e temos algo a aprender e a ensinar.