Nicolas, autista não verbal na infância, recebeu informações sobre sexualidade e autoproteção: a experiência deu muito certo!

Nicolas, autista não verbal na infância, recebeu informações sobre sexualidade e autoproteção: a experiência deu muito certo!

Por Dra. Anita Brito, Neurocientista, especializada em Transtornos do Neurodesenvolvimento, mãe de Nicolas Brito Sales, escritor, fotógrafo e autista de 22 anos.

A educação sexual é um direito de todos e, de acordo com o parágrafo 5º da Constituição, "somos todos iguais perante a lei". E nossos filhos, mesmo que com um grau de suporte maior, também têm esse direito. A nós, pais, mães, professores e profissionais de saúde, cabe levar o melhor para cada um, a fim de evitarmos abusos.

Meu filho Nicolas, autista, foi ensinado desde os 04 anos de idade, mesmo não se comunicando oralmente, que seu corpo era para ser respeitado. Com o passar dos anos, ele foi sendo ensinado a entender as mudanças e desejos inerentes ao ser humano.

Explicamos que poderia se tocar em seu quarto e que todo mundo fazia isso, inclusive o papai e a mamãe! Mas que ninguém mais poderia tocá-lo. Depois, já por volta dos 10 anos, fomos explicando sobre as mudanças de seu corpo, sobre ejaculação e tudo o que fosse pertinente para sua idade. Aos 12 anos, quando Nicolas começou a se comunicar melhor verbalmente, fomos ensinando sobre o respeito com seu corpo e com o corpo do outro. Foi tudo muito tranquilo, porque foi aos poucos, sem forçá-lo e nem pulando etapas. Hoje, aos 22 anos, Nicolas alcançou a fase adulta e sabe quem é e a que veio.